
Autor: Kate Kuhrt*
Tradução: Onésimo Àzara Pereira
Data: Outubro de 2009
Vendendo farmoquímicos de mercados ocidentais regulados para Índia e China
Com os mercados farmacêuticos da Índia e China apresentando perspectivas de continuar crescendo a taxas de dois dígitos, enquanto mercados farmacêuticos tradicionais estão estagnados, tais como EUA, Japão e países da Europa Ocidental, não será surpresa que muitos produtores de farmoquímicos ocidentais coloquem seus olhares para a Índia e a China. Quando avaliarem as oportunidades em novos mercados, os produtores de farmoquímicos devem analisar tanto o suprimento quanto a demanda de farmoquímicos específicos para os países em questão como a capacidade de atender as suas exigências regulatórias. Uma vez que a Índia e a China são fortes produtores de farmoquímicos, qualquer produtor interessado em vender produtos naqueles países deve estar preparado para competir com produtores locais, brigar com importações mais baratas de outros países emergentes e com concorrentes de mercados regulados que têm fabricações locais naqueles dois países.
Produtores locais na Índia e China muitas vezes continuam a obter vantagens nos custos de produção sobre os seus concorrentes ocidentais, apesar do fato de que os custos em ambos os países terem aumentado uma vez que os salários têm subido, os custos de energia têm se elevado e existe maior ênfase nas exigências regulatórias e ambientais.
Contudo, nós acreditamos que existem oportunidades comerciais para vender farmoquímicos produzidos em mercados regulados tanto para a Índia como para a China.
Lacunas tecnológicas
Algumas das oportunidades para vender farmoquímicos para a Índia e China se originam de lacunas tecnológicas na produção dos referidos princípios ativos. Poucas empresas indianas são fortes na área de fermentação e mesmo aquelas com capacitação, normalmente têm relativa pequena capacidade de produção, Existe, também, uma insuficiente produção de esteróides e a produção de narcóticos é bastante fraca.
Nestes últimos anos temos observado que companhias indianas têm feito aquisições no exterior tentando reduzir estas lacunas tecnológicas, por exemplo, a Strides Arcolab comprou as instalações de fermentação da Diaspa na Itália e a Sun comprou o controle da Chattens nos EUA. A China, contudo, não apresenta estas lacunas tecnológicas.
Pelo lado da demanda, significantes oportunidades para vender farmoquímicos na Índia se devem ao aumento da demanda de medicamentos para mercados regulados que são produzidos na Índia, tanto por companhias indianas ou por subsidiárias de firmas estrangeiras, como medicamentos produzidos por encomenda.
Cerca de 30 laboratórios indianos vendem seus medicamentos no mercados dos EUA. Enquanto um crescente número de laboratórios ocidentais, incluindo Watson, Sandoz e Mylan, estabeleceram fábricas na Índia, companhias como a Stada, Teva e Sandoz têm os pés fincados na China, produzindo lá seus medicamentos.
Demanda chinesa
Contudo, até o momento, a China não tem sido um importante “player” na venda de medicamentos para mercados regulados. O que não significa dizer que não existam oportunidades para que os mercados regulados vendam farmoquímicos para a China. Simplesmente significa que os produtores de farmoquímicos precisam observar acuradamente o mercado de medicamentos da China, em vez de se fixar apenas nos mercados regulados, tendo em mente identificar oportunidades potenciais. Por exemplo, existe uma enorme necessidade de novos produtos na China, tanto em termos de novas moléculas como aumentar as apresentações de medicamentos de moléculas já existentes.
As companhias que estão procurando vender farmoquímicos para a Índia e China precisam conhecer as exigências regulatórias para aprovação dos produtos. Na Índia, as fábricas de produtores estrangeiros e farmoquímicos importados têm que estar registrados no “Drug Controller General of Índia”. Custa US$ 1.500,00 para registrar a fábrica e US$ 1.000,00 para registrar cada farmoquímico. O processo de registro é considerado mais complicado e mais caro na China. Primeiro, uma “Chinese Import Drug Licence” especializada é emitida, o “dossier” é revisado pelo SFDA com testes de qualidade realizados por instituto especializado. A taxa cobrada é de aproximadamente US$ 6.600,00, com taxas adicionais para testes de qualidade.
Desde sua introdução na Índia em janeiro de 2003, aproximadamente 1.200 certificados de registro de farmoquímicos foram emitidos no país. Destes registros as companhias chinesas são detentoras de 36%. Aproximadamente 55% destes registros pertencem a companhias baseadas em mercados regulados. Comparando com a Índia, na China, desde 2004, apenas 400 farmoquímicos tiveram seus registros aprovados e 80% deles são de produtores instalados em mercados regulados. Apenas 10% dos registros de farmoquímicos na China são de empresas indianas.
Nós acreditamos que este maior número de registros na Índia (1.200) contra os 400 registros de farmoquímicos na China, se deva às lacunas tecnológicas da Índia, à demanda de farmoquímicos de maior qualidade para a produção de medicamentos destinados a mercados regulados e aos custos mais baixos para o registro dos farmoquímicos.
Antibióticos
Tanto na Índia como na China, os antibióticos estão ligados à maioria dos registros de farmoquímicos. Quando nós examinamos os principais produtos vindos de mercados regulados, nós encontramos uma extensa gama de produtos. Além dos antibióticos, os 10 mais da lista incluem esteróides, como a beclometasona, e hidrocortisona. A lactulose, um produto antigo e amplamente usado na indústria de laticínios. A pancreatina (derivado do pâncreas do porco). A ubidecarenona (coenzima Q10) que é usada como cardiotônico e anti-hipertensivo.
A israelense Teva detém a maioria dos registros de farmoquímicos na Índia. Considerando que a Teva não têm fábrica na Índia, as vendas devem ser para laboratórios locais ou para produção de medicamentos sob encomenda. Também na lista de registros de farmoquímicos na Índia estão importantes companhias farmacêuticas tais como Schering-Plough e Sanofi-Aventis que certamente abastecem suas próprias fábricas de medicamentos locais com estas matérias-primas e grandes produtores de farmoquímicos como Basf, DSM e Kyowa Hakko.
Na China, entretanto, os grandes produtores de farmoquímicos Kyowa, Ajinomoto e DSM ocupam as 3 primeiras colocações, enquanto os grandes laboratórios farmacêuticos mundiais ocupam as demais colocações entre os dez primeiros.

Conclusão
Conclue-se que alguns produtores de farmoquímicos de mercados regulados já estão vendendo seus produtos para a Índia e para a China. O crescimento dos mercados farmacêuticos da Índia e China, o aumento da atenção para a regulamentação ambiental e a continuada busca de países com menores custos de produção têm contribuído para o crescimento do número de oportunidades para os produtores de farmoquímicos de mercados regulados venderem seus produtos na Índia e na China.
(*) Kate Kuhrt é diretora da área de farmoquímicos e genéricos da Thomson Reuters – e-mail: kate.kuhrt@thomsonreuters.com
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