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Jornal Gazeta Mercantil
01 de junho de 2010
Grécia corta preço e laboratórios param de vender medicamentos
A crise de dívida da Grécia a as medidas decretadas pelo governo para tentar sanar seu déficit fiscal criaram uma grande impasse no setor de saúde. Laboratórios farmacêuticos estão tirando medicamentos do mercado grego após o anúncio de corte de 25% nos preços pagos em compras públicas.
A dinamarquesa Novo Nordisk tirou do mercado grego um tipo de insulina. A grega LEO Pharma retirou produtos dermatológicos. Outras farmacêuticas devem seguir o mesmo caminho.
A Novo Nordisk afirmou que a exigência de corte de 25% nos preços é "inaceitável" e, se aceita, poderia ter consequências fora da Grécia. Lars Rebien Sorensen, diretor-executivo da empresa, a maior do mundo de tratamento de diabetes, disse que a exigência grega pode ter consequências maiores.
"O que eles estão propondo agora é inaceitável. E terá um efeito no nível de preço europeu e em outros mercados fora da Europa, onde os preços gregos são usados como referência nas negociações com os governos", afirmou ele.
Sorensen disse ao governo grego que não baixará os preços de um tipo de insulina, pois teria prejuízo, e os revendedores já teriam suspenderiam a venda do produto. O executivo disse que os sistemas de insulina mais modernos da Novo Nordisk começarão a faltar no país em poucas semanas.
A empresa afirmou que continuaria a fornecer outros remédios mais básicos para o país, inclusive sistemas mais simples de uso de insulina, mas disse que as drogas e sistemas mais modernos teriam de ser vendidas abaixo de preços sustentáveis.
A LEO Pharma, farmacêutica grega especializada em tratamentos dermatológicos, afirmou que seguiria o mesmo caminho da dinamarquesa e retiraria alguns de seus produtos do mercado.
A associação de empresas farmacêuticas da Grécia, que representa indústrias nacionais e estrangeiras, advertiu que os drásticos cortes de preços exigidos pelo governo levarão à falta de medicamentos no mercado.
Entretanto, a maior farmacêutica da Europa, a GlaxoSmithKline, disse que continuaria a fornecer para a Grécia. A AstraZeneca afirmou também que não tinha planos de retirar seus remédios do mercado grego, mas se disse preocupada com a exigência de corte de preços, a qual "aparentemente contraria as leis" do país.
Portugal e Itália devem exigir corte de preços de medicamentos nos próximos dias, segundo expectativa do mercado. Alemanha e Espanha também anunciaram planos de exigir o corte de preços de medicamentos.
(Agências internacionais)
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