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Jornal Valor Econômico
EUA - 01 de setembro de 2010
Farmacêutica americana acha que vale mais
Henri Termeer, diretor-presidente da Genzyme, desafia Sanofi-Aventis SA a aumentar oferta pela empresa.Confira detalhes do assunto na matéria do Valor Econômico de hoje.
O diretor-presidente da Genzyme, Henri Termeer, disse ontem que a farmacêutica francesa Sanofi-Aventis SA terá de aumentar sua oferta de US$ 18,5 bilhões se espera conseguir começar a discutir a compra da empresa americana de biotecnologia.
"A dificuldade é o ponto de partida", disse Termeer numa entrevista ao Wall Street Journal. "A US$ 69 [por ação], a empresa não está à venda."
Termeer disse que a princípio a Genzyme não é contra uma venda. Ele acrescentou que o conselho de administração provavelmente deve abrir o processo e buscar outros possíveis compradores se achar que pode receber uma oferta maior. "Obviamente que é algo que precisa ser considerado e está sendo considerado", disse ele.
Mas ele acrescentou que o conselho ainda não deu aos assessores financeiros a autoridade para contatar possíveis compradores. Pessoas a par da questão dizem que a GlaxoSmithKline PLC, a Johnson & Johnson e a Pfizer Inc. já manifestaram um interesse preliminar e casual na Genzyme, mas que isso ainda não evoluiu para negociações.
"Queremos um valor justo se fizermos uma transação estratégica", disse Termeer. "A empresa sozinha também vale muito."
A Sanofi anunciou publicamente no domingo que quer comprar a Genzyme, com uma carta conhecida como "abraço de urso". Uma carta desse tipo geralmente é um passo menos agressivo que uma oferta hostil, que significa levar a oferta diretamente aos acionistas da empresa. Mas a Sanofi informou que está "preparada para estudar todas as alternativas para concluir com sucesso esta transação".
Empresas farmacêuticas às voltas com o fim de patentes de remédios campeões de vendas estão buscando maneiras de compensar a perda de faturamento. A compra da Genzyme, com seu conjunto de remédios usados para tratar enfermidades sérias como doenças crônicas do rim e leucemia, pode ajudar a reabastecer a Sanofi.
Numa entrevista ao WSJ no domingo, Viehbacher deu a entender que está aberto a negociar o preço, afirmando: "Somos pessoas razoáveis". Mas ele disse que a Genzyme não tem mostrado disposição de negociar pontos de vista diferentes e a Sanofi deu de cara "numa parede".
Ele disse também que a oferta da Sanofi leva em conta os problemas de produção na Genzyme e as possibilidades de solucioná-los. A principal fábrica da empresa, em Allston, no Estado americano de Massachusetts, foi fechada temporariamente em junho de 2009 devido a uma contaminação viral, o que causou uma escassez severa na oferta dos remédios.
Termeer disse que a oferta da Sanofi não leva em conta as informações recentes sobre uma possível recuperação da Genzyme, como o comunicado da semana passada de que o suprimento do Cerezyme, remédio contra doença de Gaucher da Genzyme, está praticamente normalizado. O suprimento de Fabrazyme, usado para tratar a doença de Fabry, deve aumentar ainda este ano.
"Também há muitas melhorias que vão acontecer no quarto trimestre, então não é justo afirmar que tudo isso já foi incluído no preço [oferecido pela Sanofi]", disse Termeer. "Ninguém duvida que a empresa esteja se recuperando bem."
A Genzyme também aposta num remédio contra esclerose múltipla de grande potencial de lucro, o Campath, atualmente em processo de aprovação pela autoridade americana de fiscalização de remédios e alimentos, conhecida como FDA. O Campath atualmente é liberado para tratar leucemia.
Viehbacher disse que a Sanofi está conversando com os acionistas da Genzyme, para determinar qual será seu próximo passo. Segundo ele, a empresa "não tem pressa". Pessoas a par da questão disseram que a Sanofi não deve partir para uma oferta hostil logo e será paciente na hora de decidir o que fazer.
A Sanofi afirmou que sua oferta de US$ 69 por ação, feita em 29 de julho, representa um ágio de 38% em relação à cotação da Genzyme em 1o de julho, de US$ 49,86, um dia antes de começarem a circular as notícias sobre o interesse da Sanofi em realizar a aquisição. Até agora, o conselho da Sanofi autorizou a empresa a pagar até US$ 70 por ação.
A ação da Genzyme fechou ontem em US$ 70,11 na bolsa eletrônica Nasdaq, o que dá à empresa um valor de mercado na faixa de US$ 17,9 bilhões.
(Gina Chon e Anupreeta Das / Wall Street Journal)
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