|

Jornal Valor Econômico
São Paulo - 03 de março de 2010
Pequenas e médias também desenvolvem produtos
Com investimentos programados de até R$ 6 milhões em 2010, algumas companhias esperam dobrar o faturamento com o lançamento de produtos como antimicrobianos baseados em prata, pinos de fibra de vidro para uso odontológico e novas tecnologias para a regeneração de ossos e tecidos. "Já exportamos para mais de 60 países", diz Roberto Alcântara, presidente da Angelus, de Londrina (PR), que espera faturar R$ 60 milhões em 2013.
A Nanox, empresa de São Carlos (SP), especializada em nanotecnologia, desenvolveu um antimicrobiano natural, à base de prata, e conquistou clientes na área da saúde. "O NanoxClean pode ser inserido durante a manufatura dos produtos ou com o item já acabado, como um recobrimento", explica Luis Gustavo Simões, presidente da Nanox. O composto cria uma barreira de proteção e promete evitar a formação de fungos e bactérias na superfície de plásticos, metais, madeira, tintas e tecidos.
Entre os clientes da empresa está a Indústria Brasileira de Bebedores (IBBL), que aplica o produto na cuba de armazenamento de água dos equipamentos, e a Dabi Atlante, do setor odontológico. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 25% dos pacientes nos consultórios levam doenças como catapora, conjuntivite e herpes.
Em 2009, a Nanox, dona de um faturamento de R$ 1,5 milhão, vendeu mais de duas toneladas do produto - metade foi exportada para o México. Em 2010, a previsão é dobrar a receita. "Não podemos descartar problemas que possam voltar ao cenário, como a gripe suína, que exige cuidados redobrados com a propagação da doença."
Para Simões, o maior investimento da empresa este ano será em recursos humanos. A empresa conta com 16 funcionários, todos com formação superior e especializados em controle de qualidade de processos, desenvolvimento de produtos e marketing. Criada em 2004, a Nanox nasceu de um projeto de três estudantes da Universidade Federal de São Carlos. Recebeu aportes de um fundo de investimentos em 2006 e, no ano seguinte, ganhou um prêmio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Na Angelus, indústria de produtos odontológicos com 60 funcionários, os carros-chefes são pinos de fibra de vidro e de carbono, além de cimentos reparadores. As unidades de fibra, usadas para substituir pinos metálicos, são colocadas dentro das raízes dos dentes para suportar próteses. "Além de resistentes, os dispositivos são flexíveis e acompanham o movimento do dente, o que evita a fratura da raiz", explica o dentista Roberto Alcântara, presidente da Angelus, que já exporta a mercadoria para 65 países.
Já os cimentos reparadores são desenvolvidos com "clínquer", a mesma matéria-prima usada para o cimento de construção. Fecha perfurações das raízes dos dentes e traz componentes que impedem a evolução das infecções. "Antes do desenvolvimento do produto, uma perfuração na raiz podia levar à perda do dente", explica. "Fomos a segunda empresa a disponibilizar esse item no mundo e o similar americano não encontrou espaço no Brasil por conta do alto preço."
Os pinos em fibras de vidro e carbono foram lançados em 2000 e 3,5 milhões de unidades foram entregues. O cimento reparador foi criado em 2001 e tem 650 mil unidades vendidas.
Fundada em 1994, a Angelus faturou R$ 10,3 milhões em 2009 e pretende alcançar R$ 13,1 milhões em 2010. São esperados investimentos de R$ 2 milhões em marketing e vendas, além de R$ 4 milhões em pesquisa e desenvolvimento, provenientes de recursos próprios e de entidades ligadas ao governo. "Depois de 14 anos de investimentos em ciência e tecnologia, vamos aplicar em vendas e marketing." O objetivo é chegar aos R$ 60 milhões de faturamento até 2013.
Para alcançar essa meta, Alcântara quer diversificar produtos com a ajuda de núcleos de pesquisas de universidades e comprar uma empresa odontológica americana para facilitar a entrada dos produtos nos EUA - o país detém 35% do mercado mundial de itens odontológicos, contra uma participação de 2% do Brasil. "Estamos negociando o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fundamental para fechar o projeto."
Na Viotti, a briga por contratos acontece na área de produtos eletromédicos. Criada em 1982, a empresa desenvolve sistemas de diagnóstico de urodinâmica e manometria esofágica e anorretal. "As medições de pressão esofágica, anorretal, da bexiga e da uretra são fundamentais para o diagnóstico de disfunções da micção, como a incontinência urinária e fecal", explica a diretora Claudia Lemme.
Com dez funcionários, a maioria voltada para o desenvolvimento de novos produtos, a Viotti conquistou clientes como o Hospital do Coração, o Hospital São Luiz e a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).
Este ano, a Bioactive, empresa que pesquisa tecnologias para a regeneração de ossos e tecidos, deve aplicar mais de R$ 5 milhões na montagem do negócio e na compra de equipamentos. Com dois funcionários e seis bolsistas, está sediada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas de São Paulo (Cietec). O centro é considerado o maior incubador de empresas da América Latina. Tem mais de 100 empreendimentos incubados, que registraram receita de R$ 42 milhões e empregam mais de 700 profissionais especializados.
A Bioactive desenvolve membranas anti-inflamatórias, um gel antibiótico e uma família de produtos para a fixação óssea de fraturas. "Recentemente, a equipe desenvolveu matrizes sintéticas, capazes de proliferar células tronco para a engenharia de tecidos humanos", lembra o sócio e pesquisador Walter Cabrera.
(Jacilio Saraiva)
|