Jornal Valor Econômico
EUA - 03 de Maio de 2011


Teva fecha compra da Cephalon por US$ 6,8 bi

A Teva Pharmaceuticals fechou um negócio de US$ 6,8 bilhões com a Cephalon, prevalecendo sobre uma proposta hostil de aquisição do grupo americano de biotecnologia apresentada pela canadense Valeant.

A Teva anunciou que pagará US$ 81,50 por ação em dinheiro pela Cephalon, em comparação com a oferta de US$ 73 por ação da Valeant, como parte da estratégia da empresa israelense de fortalecer suas marcas no mercado de fármacos especiais.

A Teva é mais conhecida como fabricante de genéricos, mas também gera renda com medicamentos patenteados - liderados pelo Copaxone, um medicamento para o tratamento de esclerose múltipla. "Essa é uma iniciativa transformadora para os negócios da Teva com medicamentos de marca, pois irá nos ajudar a cumprir o objetivo estratégico de criação de uma empresa diversificada e multifacetada", disse Shlomo Yanai, presidente da Teva.

O negócio ampliará a participação dos medicamentos de marca da Teva para 36%, dos aproximadamente 28% no ano passado, disseram pessoas informadas sobre o negócio.

As ações da Cephalon subiram 4,25% nos negócios em torno do meio-dia, para US$ 80,30. A oferta da Teva representa um prêmio de 39% em relação à cotação da ações da Cephalon antes da oferta da Valeant. As ações da Teva subiram cerca de 2,5% em Nova Iorque, para US$ 46,90.

Kevin Buchi, executivo-chefe da Cephalon, disse que a empresa já estava em contato com as operações da Teva nos EUA antes da manifestação de interesse da Valeant e que a empresa havia considerado todas as suas opções antes de firmar o acordo.

A Valeant, que tem se comportado agressivamente na formação de seus leques de produtos mediante aquisições, planejava reduzir os esforços de pesquisa e desenvolvimento da Cephalon e em vez disso concentrar-se na maximização dos fluxos de caixa de medicamentos existentes.

Buchi disse ser "gratificante" que um comprador sofisticado como a Teva tenha aceito a visão da Cephalon sobre a perspectiva futura para seus medicamentos.

Pessoas bem informadas sobre o negócio disseram que o preço pago pela Teva situa o valor da Cephalon, antes de sinergias, em torno de 8,4 vezes seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização em 2012. A Teva disse que, com a combinação das empresas, prevê uma economia anual da ordem de US$ 500 milhões.

A Comissão Europeia anunciou, na semana passada, o início de uma investigação sobre se um acordo anterior entre a Teva e a Cephalon retardou a entrada de um medicamento genérico, o Modafinil, no mercado.

(Helen Thomas, Andrew Jack e Nikki Tait)