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Jornal Valor Econômico
EUA - 04 de Janeiro de 2011
Índia estuda limitar capital externo na sua indústria farmacêutica
Uma onda de críticas em relação às aquisições de companhias farmacêuticas indianas por estrangeiros levou o governo a considerar a possibilidade de impor limites à participação do capital estrangeiro nesse setor.
A indústria de medicamentos da Índia, que se especializou na produção de genéricos baratos e de alta qualidade, atraiu atenção de grandes laboratórios mundiais e levou nos últimos anos a várias grandes negociações.
Mas as aquisições despertaram desconfiança sobre se as mudanças no perfil dos proprietários acabará levando a aumentos de preços - o que poderia deixar muitos remédios fora do alcance dos pobres da Índia.
O resultado é que os Ministérios do Comércio e da Saúde do país estão avaliando se o governo deve designar a indústria farmacêutica como um "setor sensível". Isso faria com que as empresas estrangeira interessadas em controlar mais de 49% de um laboratório farmacêutico indiano tivessem de, antes de mais nada, obter uma aprovação do governo.
A Índia já impõe limites a estrangeiros que querem comprar empresas de diversos setores, mas não restringe a propriedade no setor farmacêutico.
"Se companhias multinacionais forem bem sucedidas nas aquisições, eles vão subir os preços [dos remédios]", disse uma alta autoridade do Ministério da Saúde. "É preciso uma regulamentação rigorosa."
Em 2008, a Daiichi Sankyo, do Japão, pagou US$ 3,6 bilhões para adquirir o Ranbaxy Laboratories, o maior laboratório farmacêutico da Índia. Em 2009, a Sanofi-Aventispagou €550 milhões pelo controle da fabricante de vacinas indiana Shanta Biotech. E no ano passado, a americana Abbottpagou US$ 3,7 bilhões pelo setor de formulação de drogas para o mercado interno da Piramal Healthcare.
Não está claro se essas aquisições vão levar a um aumento dos preços, mas elas suscitaram essa dúvida num país onde o governo gasta apenas 0,9% do PIB em saúde - um dos mais baixos percentuais do mundo.
"A fabricação deve ser controlada por nós, assim ninguém vai nos chantagear", afirmou Jyoti Mirdha, político integrante do governista Partido do Congresso e que vem defendendo mais regulamentação nas aquisições no setor.
(Girija Shivakumar e Amy Kazmin / Financial Times)
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