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Brasil Econômico
04 de fevereiro de 2010
Vendas de remédios genéricos atingem R$ 4,5 bi em 2009
Com a crise econômica, medicamentos mais baratos cresceram duas vezes mais do que a média de mercado no ano passado.
Em pleno ano de crise econômica, a venda de medicamentos genéricos registrou uma forte elevação no Brasil em 2009, segundo balanço divulgado ontem pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos).
De acordo com a organização, o segmento teve um faturamento de R$ 4,5 bilhões, aumento de 24% frente aos R$ 3,6 bilhões de 2008. O número de unidades comercializadas também aumentou 19%, passando de 277 milhões para 331 milhões.
O resultado mostra que os genéricos cresceram 2,3 vezes mais do que a média da indústria farmacêutica como um todo, que apontou elevação de 8,2% ao longo do ano passado.
Para o presidente da Pró-Genéricos, Odnir Finotti, "o ano não foi fácil para ninguém", mas ele ressalta a importância do custo mais barato dos remédios no resultado.
"Em momentos de crise, com restrição de renda, as famílias buscam uma saída mais barata. E os genéricos são, obrigatoriamente, pelo menos 35% mais em conta que os produtos de referência", explica.
Na prática, o preço de mercado tende a cair ainda mais do que o percentual mínimo estabelecido pela Lei dos Genéricos, de 1999. Os genéricos em média custam de 50% a 55% a menos que os originais. E os próprios medicamentos de referência precisam diminuir seu preço.
Estudos mostram que, caso não haja redução de custo para o consumidor, a parcela de alguns remédios no mercado pode cair até pela metade.
O resultado do ano se consolidou no segundo semestre, quando o país começou a mostrar sinais mais consistentes de recuperação frente à crise. Nos dois trimestres do período, as vendas em unidades tiveram alta de 21% e 24%, acima da média anual.
Para a associação, a retomada pós-crise permitiu que consumidores até então com orçamento apertado voltasse a comprar remédios regularmente. Além disso, a diversidade oferta de produtos também influenciou.
"Hoje já existem genéricos para 90% das doenças", afirma Finotti. "O preconceito de que os genéricos não seriam tão bons como os originais ainda existe, mas já diminuiu muito", completa.
Esses fatores se refletiram na participação no mercado, onde o avanço dos genéricos resultou na conquista de dois pontos, passando de 17% para 19,4%, uma elevação percentual de 11% usando o critério das unidades vendidas. Pelo faturamento, o aumento foi de 9,4%.
Para este ano, a expectativa dos laboratórios do setor é apontada como positiva. O objetivo é "no mínimo" manter a média de 20% de crescimento anual dos últimos anos, segundo a Pró-Genéricos.
Esse crescimento pode ser ainda mais elevado, pois 2010 será um período marcado pela quebra de patentes de medicamentos campeões de vendas, conhecidos no jargão do setor como blockbusters (arrasa-quarteirões, no termo em inglês).
Caso sejam confirmadas, essas projeções significam que o setor no Brasil vai se expandir bem acima da média mundial, que deverá ficar em torno de 5% de acordo com estudo da consultoria IMS Health.
Os investimentos na área também devem continuar aquecidos. Finotti diz que mantém sua previsão de investir US$ 350 milhões desde 2007 até o final deste ano.
"Há novas fábricas surgindo e outras ampliando sua capacidade". Ele espera que, a exemplo de 2009 - quando o laboratório francês Sanofi-Aventis agitou o setor ao comprar a brasileira Medley - os estrangeiros continuem de olho em empresas nacionais.
"Não é um setor que dê um retorno enorme a curto prazo, mas ele garante uma receita constante. Como o mercado está muito promissor, sem dúvidas novas aquisições podem acontecer".
(Marcelo Cabral)
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