Jornal Valor Econômico
Anápolis - 05 de Janeiro de 2011


Perfil interiorano cede espaço a polo industrial goiano

De vocação agrícola, Anápolis começou a experimentar as vantagens e os dissabores de uma região que vivencia o progresso impulsionado pela rápida industrialização. Há muito que o município, com cerca de 350 mil habitantes, não guarda mais a ingenuidade típica do interior.

A extensão da estrada de ferro de Goiás nos anos 40 confere à cidade posição logística estratégica - está a cerca de 50 quilômetros de Goiânia e outros 120 km de Brasília, cortada pelas rodovias federais BR 153 (Belém-São Paulo) e BR 060 (Goiás-Brasília), que recentemente foram duplicadas. Grandes distribuidoras de medicamentos, como a Panarello, se beneficiam dessa localização. Em 1975, um ano antes da inauguração do Daia (Distrito Agroindustrial de Anápolis), o governo de Goiás deu início ao programa de incentivos fiscais, atraindo empresas ao Estado, diz Luiz Medeiros, secretário de Indústria e Comércio. Os atuais são o Produzir e o Fomentar, no qual as empresas pagam uma parte do ICMS (27%) e financiam o restante (73%), de acordo com o projeto.

"Preocupação com violência e drogas já faz parte do dia-a-dia, mas nada que mereça uma força-tarefa", observa o prefeito Antônio Gomide (PT). A cidade cresceu e os investimentos em infraestrutura começaram a ser cobrados. "Entregamos 700 casas do programa Minha Casa Minha Vida, de um total de 2 mil unidades previstas para os próximos dois anos."

Para atender a grande demanda por empregos que serão e já estão sendo gerados a partir da chegada de novas indústrias, o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) está formando centenas de profissionais para serem absorvidos pelo crescente mercado de trabalho, por meio do programa Qualificar. "A cidade não vive um boom de migração de mão de obra barata. Conseguimos absorver e qualificar o pessoal daqui de Anápolis mesmo", diz Gomide.

Para as vagas mais qualificadas, sobretudo as que exigem graduação, a migração é mais constante. De olho nesses novos moradores, condomínios de casas estão sendo erguidos e novos bares e restaurantes também estão sendo abertos. Os dois shoppings da cidade foram repaginados. "Agora batalhamos por um centro de convenções para a cidade. Também teremos três novos hotéis", afirma o prefeito.

Comparado ao sudoeste do Estado, que tem recebido pesados investimentos de indústrias sucroalcooleiras e agropecuárias, mas ainda carece de investimento em infraestrutura, Anápolis não deixa muito a desejar: 93% da água e 65% do esgoto já são tratados. A cidade está em um raio de referência de 16 cidades ao seu redor, incluindo parte do Distrito Federal.

Indústrias alimentícias e automotivas miram o Estado, que já atraiu a Hyundaipara Anápolis e poderá recepcionar a Suzukiem Catalão, que também atraiu grandes indústrias da área metal-mecânica, lembra Medeiros.

(Mônica Scaramuzzo)