Jornal Valor Econômico
São Paulo - 07 de outubro de 2011


Biomm busca investidores para projeto de insulina

A Biomm Technology quer atrair novos investidores à companhia, que fará um aporte de cerca de R$ 300 milhões em uma fábrica de insulina no país. O banco Itaú BBA está assessorando os controladores da empresa nessa operação. Nesta semana, a companhia também anunciou uma reestruturação societária e a entrada de dois novos acionistas ao grupo.

O executivo Philippe Prufer, ex-presidente da multinacional farmacêutica Eli Lilly no Brasil, e sua irmã, Alexandra Prufer de Queiroz Campos Araújo, passaram a fazer parte da Biopart, holding do grupo de controladores da Biomm. Além dos dois executivos, a empresa especializada em biotecnologia tem como acionistas Guilherme Emerich, Walfrido dos Mares Guia (ex-ministro do Turismo) e Henriqueta dos Mares Guia. Os cinco estão na holding Biopart, com 77,6% das ações ordinárias e 9,9% das ações preferenciais, perfazendo 39,9% do total de ações emitidas pela companhia, após a reorganização.

Controlada por ex-executivos da Biobras - vendida em 2002 para a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, a Biomm vai construir a partir do primeiro trimestre de 2012 uma fábrica de insulina no Brasil. A expectativa é de que a unidade produtora entre em operação em 2014. "Vamos voltar a produzir insulina no Brasil", afirmou Guilherme Emerich, um dos principais acionistas da companhia.

Ao Valor, Prufer afirmou que decidiu investir na Biomm porque acredita na expansão desse segmento. "A perspectiva desse negócio é grande", afirmou. O mercado de insulina no Brasil cresceu 15% nos últimos dois anos. Prufer disse que ele e sua irmã investem como pessoa física em empresas de capital aberto. "Este é primeiro investimento em indústria farmacêutica", disse.

A Biomm, que foi criada a partir da cisão com a Biobrás, detém a patente para a produção de cristais de insulina. O BNDES Par (braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com 15% do capital da companhia, deverá financiar até dois terços da nova unidade. A futura fábrica da companhia deverá ser erguida na região metropolitana da capital mineira, afirmou Emerich. "O local ainda não foi definido, mas será na região metropolitana de Belo Horizonte", disse o acionista. "Vamos desenvolver outros produtos para a área de endocrinologia", afirmou.

A Biomm quer desenvolver medicamentos biológicos. "Temos um laboratório de pesquisa e desenvolvimento em Montes Claros [MG] e nossas pesquisas não se baseiam na rota de química fina", afirmou Emerich.

Ao ser vendida em 2002 para o laboratório Novo Nordisk, os ex-executivos da Biobras ficaram com os direitos da patente para a produção de insulina, uma vez que os dinamarqueses também já produziam o medicamento. No acordo de aquisição, a Novo Nordisk ficou apenas com os ativos. "Nesses últimos anos, atualizamos nossa tecnologia [produção de insulina] e fizemos vários acordos de cooperação com institutos e universidades", disse Francisco Freitas, principal executivo (CEO) da Biomm.

Com a venda da Biobrás para a multinacional, a insulina consumida no Brasil passou a ser importada da Europa. Atualmente, a Novo Nordisk, a maior produtora global desse medicamento, a francesa Sanofi-Aventis e a americana Eli Lilly são os principais competidores no país.

Além da patente para a produção de insulina, a Biomm detém tecnologia para outros produtos biotecnológicos, utilizados pelas indústrias farmacêuticas, e atua na área de biocombustíveis, por meio de processo de produção de enzimas para a fabricação de etanol a partir da biomassa.

(Mônica Scaramuzzo)