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Jornal Valor Econômico
São Paulo – 15 de Dezembro de 2011
Merial vê cenário menos otimista e se prepara para integração com a Sanofi
A operação brasileira da Merial Saúde Animal deve registrar crescimento próximo de 9% em 2011. Com o ano praticamente encerrado, a companhia estima vendas entre R$ 312 milhões e R$ 315 milhões. Em entrevista ao Valor, o presidente da companhia no Brasil, Alfredo Ihde, disse que o mercado de produtos veterinários refletiu o bom desempenho do setor pecuário neste ano.
"Quando os preços da carne estão atraentes, o produtor responde com aumento de demanda, mas há no Brasil um processo muito evidente, e alheio ao sobe-e-desce dos preços, de maior investimento em tecnologia, o que afeta diretamente o nosso negócio", justifica.
Só a venda de vacinas e medicamentos para aves deve aumentar 23% sobre 2010, a R$ 55 milhões. O segmento de ruminantes, o mais relevante do ponto de vista da receita, deve alcançar a marca de R$ 110 milhões, uma expansão de 11%. A empresa ainda patina nas vendas de produtos para suínos, que devem repetir a receita de R$ 14 milhões obtida no ano passado. Em compensação, deve crescer 22% na venda de produtos para animais domésticos, com um volume estimado em R$ 55 milhões.
Ihde admite que o cenário para 2012 é menos promissor, ameaçado pela crise global. "Ainda não sentimos qualquer efeito, mas é possível que os preços das commodities caiam e afetem o setor como um todo". Em seu orçamento, a Merial projeta um crescimento de 8% nas vendas, pouco inferior ao esperado para 2011. Mas o executivo pondera que as contas foram feitas no meio do ano, antes da deterioração mais aguda do cenário econômico. "Se tivéssemos a oportunidade, talvez revisaríamos esse número para baixo. Mas tudo ainda é muito prematuro".
Enquanto tenta compreender o novo cenário, Ihde se prepara para outro desafio: integrar a empresa ao seu controlador, o grupo farmacêutico francês Sanofi, dono de marcas como a Medley e Genzyme. Segundo Ihde, a Sanofi tomou a decisão de incorporar a Merial ainda em maio, logo depois que fracassou a tentativa de fundi-la com a Intervet Shering-Plough (controlada pela americana Merck). A união entre as duas subsidiárias criaria a maior empresa de saúde animal do mundo, com uma receita mundial da ordem de US$ 5,5 bilhões. Em 2010, a Merial faturou US$ 2,6 bilhões em todo o mundo, atrás de Pfizer e Merck.
Com a mudança de planos, a Merial deixa de ser uma empresa independente e passa a integrar a mesma estrutura administrativa, financeira e de pesquisa e desenvolvimento do grupo francês. "Teremos ganhos significativos do ponto de vista da eficiência e dos custos, além de acesso a uma infraestrutura de pesquisa muito mais ampla e que investe muito pesado", entusiasma-se Ihde.
A primeira mudança prática foi a divisão em duas da área internacional da Merial, antes concentrada nos EUA. Uma delas, sediada em Campinas (SP), será responsável pelas operações na América Latina e na Oceania. A outra, voltada para a Ásia, ficará em Xangai, na China. Ihde também antecipa mudanças na forma de gestão. "A Merial era uma empresa estável, focada em processos. Funcionava como um trator, que vai para frente, devagar e sempre. A Sanofi traz novos métodos, maior agressividade e mais agilidade na tomada de decisões".
(Gerson Freitas Jr.)
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