Jornal Valor Econômico
São Paulo - 17 de fevereiro de 2010


Genéricos são alvo preferencial dos investimentos das multinacionais

O segmento de medicamentos genéricos tem recebido especial atenção de grandes companhias multinacionais. Com a perda de importantes patentes e custos mais baixos, o que estimula o maior consumo, muitos grupos especializados em inovação estão considerando começar a produzir genéricos.

Nos Estados Unidos, as vendas de remédios genéricos podem chegar a 50% nos próximos 10 anos, de acordo com a consultoria IMS Health. No Brasil, as vendas totais de medicamentos em 2009 somaram R$ 30,2 bilhões, dos quais 15%, ou R$ 4,5 bilhões, foram de genéricos , segundo a Pró-Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos ). De cada 100 unidades vendidas no país, 20 já são de genéricos.

A Sandoz, braço de genéricos do grupo farmacêutico suíço Novartis, vai intensificar suas apostas nesse segmento. "Vamos crescer nosso portfólio, com a busca de registro para produtos que deverão perder a patente", afirmou ao Valor José Luís Martins Lopes, diretor de operações técnicas da Sandoz.

A multinacional americana Pfizer afirmou, em recente entrevista a este jornal, que pretende investir na produção de genéricos de seus próprios produtos. A empresa comercializa o Lipitor (combate o colesterol elevado), que deverá perder a patente até o fim do ano. Esse medicamento é o mais vendido no mundo, movimentando US$ 13 bilhões. O Viagra, também da Pfizer, perde a patente em 2011.

Estimativas de mercado apontam que o segmento de medicamentos genéricos no Brasil poderá receber um incremento de cerca de R$ 800 milhões entre 2010 e 2011 por conta dos remédios de marcas que vão perder a patente neste período. No país, grandes laboratórios nacionais são especializados em produzir esses medicamentos.

(Mônica Scaramuzzo)