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Jornal Valor Econômico
EUA - 18 de Abril de 2011
Johnson & Johnson estuda aposta médica de US$ 20 bi
Se for adiante com a compra da Synthes Inc. - um negócio que chegaria a US$ 20 bilhões -, a Johnson & Johnson vai adquirir um nome de peso num segmento importante do mercado de dispositivos médicos.
Seria a maior aquisição já feita pela gigante americana da saúde e poderia revigorar sua divisão de dispositivos - que, assim como a de rivais, vem tendo dificuldade para retomar o crescimento acelerado registrado antes que a crise econômica e pressões sobre preços começassem a abalar as vendas.
O Wall Street Journal informou na sexta-feira à tarde que a J&J está negociando a compra da Synthes, fabricante de equipamentos usados em cirurgias do trauma com sedes na Suíça e nos Estados Unidos. Pessoas a par das conversas disseram que as negociações ainda estão frágeis e que não está claro se as partes chegarão a um acordo, nem quando.
A Synthes daria à J&J presença imediata num dos segmentos que mais crescem no mercado de dispositivos ortopédicos, que movimenta US$ 28,3 bilhões. A Synthes tem quase 50% das vendas de placas e parafusos usados por médicos no tratamento de fraturas. Ano passado, a categoria de trauma, que movimenta US$ 5,5 bilhões, cresceu 8%, segundo a Wells Fargo Securities.
"É a grande lacuna na carteira ortopédica (da J&J), o que faz da Synthes uma combinação muito boa para eles", disse alguém que conhece bem o setor. A Synthes "basicamente ergueu o mercado de trauma".
Uma divisão da J&J, a DePuy, também vende placas e parafusos, mas está atrás tanto da Synthes como das rivais Stryker Corp. e Smith & Nephew PLC. No ano passado, a Synthes registrou US$ 2,69 bilhões em vendas de produtos para trauma, uma alta de 10% em relação a 2009, disse Larry Biegelsen, analista da Wells Fargo, em nota aos investidores. No mesmo período, a DePuy vendeu US$ 258 milhões no mercado de trauma. Mas a perspectiva de ela capturar mais de metade desse mercado pode provocar vigilância maior por parte das autoridades.
Uma pessoa familiarizada com o assunto disse que a J&J está avançando no processo de exame rigoroso das contas da Synthes. Um fator na negociação, disse essa fonte, é que a Fundação AO, entidade de pesquisa cirúrgica sem fins lucrativos filiada à empresa desde sua fundação, pode ter voz na venda.
Para a J&J, a transação ocorreria num momento em que a empresa se debate com questões de qualidade - problemas que levaram a mais de uma dezena de recalls de medicamentos populares de venda sem receita, lentes de contato e próteses de quadril. Esses recalls custaram US$ 900 milhões em vendas à empresa no ano passado, derrubando o faturamento e aumentando a pressão para que achasse novas fontes de crescimento da receita e do lucro.
Um porta-voz da J&J disse que a empresa não se manifesta sobre especulações. Não foi possível fazer contato com a Synthes, que tem sede na suíça Solothurn e na americana West Chester, Estado da Pensilvânia.
Uma transação de US$ 20 bilhões eclipsaria a outra aquisição da J&J: a da unidade de produtos de consumo e higiene pessoal da Pfizer Inc. por US$ 16,6 bilhões em 2006. Seria, ainda, uma ruptura com a velha prática de ampliar seus inúmeros braços sobretudo com a compra de empresas menores. Mas, para a empresa cuja carteira de produtos vai do Band-Aid ao remédio para anemia Procrit, a transação seria condizente com a estratégia de adquirir negócios com posição de liderança em mercados promissores.
A Synthes, que também fabrica produtos para a coluna e próteses osseas, ampliaria a presença da J&J em mercados emergentes, área na qual o conglomerado americano de New Brunswick, em Nova Jersey, pretende crescer. No ano passado, a Synthes registrou US$ 424,4 milhões em vendas na região da Ásia e Oceania, alta de 18,9%.
Alex Gorsky, o executivo da J&J que dirige a divisão de dispositivos médicos, disse a investidores no ano passado que os mercados emergentes "estão crescendo no momento a cerca de duas a três vezes o ritmo de nossos mercados desenvolvidos; nossa impressão é que apenas começamos a vislumbrar a dimensão da verdadeira oportunidade".
Apesar da recente queda nas vendas, a J&J acumula US$ 27,7 bilhões em caixa, segundo informe deste ano da empresa à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC. A empresa está atrás de um fabricante de dispositivos médicos há algum tempo e, no ano passado, chegou a cogitar a Smith & Nephew, empresa de ortopedia do Reino Unido.
As ações da Synthes, negociadas na bolsa suíça, subiram 17% de 17 de março para cá, já computada a alta de 6,2% na sexta passada em meio aos rumores de uma possível venda. Hoje, seu valor de mercado é de 16,5 milhões de francos suíços, ou cerca de US$ 18,4 bilhões.
Já que a Synthes tem sede nos EUA e na Suíça, a J&J poderia usar o dinheiro guardado no exterior para pagar pela Synthes em francos suíços, disse a pessoa familiarizada com o setor. Com isso, a J&J evitaria pagar impostos na repatriação do dinheiro aos EUA.
Um empurrão viria a calhar para a divisão de dispositivos médicos da J&J. O negócio, de US$ 24,6 bilhões, cresceu 4,4% no ano passado, um ritmo inferior ao registrado anos antes. As vendas da Synthes cresceram 8,6% em 2010, para US$ 3,69 bilhões.
(Jonathan D. Rockoff – The Wall Street Journal)
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