Jornal Gazeta Mercantil
São Paulo - 21 de junho de 2010


Tática de 'guerra' para a venda do Viagra genérico

Um batalhão de 240 pessoas estará nas ruas a partir de hoje para colocar a versão genérica do Viagra, produzida pela EMS, maior laboratório nacional, nas farmácias do país. A patente do medicamento, que pertence à Pfizer, perdeu a validade ontem. A tática é de guerra. Uma equipe com 1.500 pessoas da companhia fará ações junto aos médicos para divulgar o remédio similar de marca da farmacêutica.

A EMS e suas empresas controladas - Sigma Pharma, Legrand, Germed - vão colocar no mercado quatro versões genéricas (princípio ativo citrato de sildenafil) e quatro similares, que serão comercializadas com as marcas Suvvia (que significa venha em italiano), Ah-Zul, Vasifil e Sollevare (tradução de levantar em italiano). O Suvvia será a única pílula na cor branca, disse Waldir Eschberger Jr., vice-presidente de mercado da EMS. O restante - genérico e similar - será na versão azul.

A EMS foi a primeira do país a obter autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercializar genérico e similar do Viagra. Na fila, outras companhias, entre elas a Eurofarma, Sanofi-Aventis, Aché e a própria Pfizer, pretendem entrar na disputa dos genéricos.

O clima é de competição acirrada. A partir da zero hora de hoje, a EMS colocará à venda seu lote de desenvolvimento das versões do Viagra, disse Eschberger Jr. A Pfizer decidiu reduzir em 50% o preço do remédio para concorrer com as novas cópias. A EMS vai vender cada pílula a R$ 10, com embalagens para um, dois, quatro ou oito comprimidos. A Pfizer também terá venda por unidade, a R$ 15. A americana Eli Lilly, que comercializa o Cialis, medicamento líder em disfunção erétil, informou que não vai entrar nessa guerra de preços. O produto será vendido a R$ 28 a unidade, informou Luciano Finardi, diretor de marketing da companhia. Cada embalagem do Cialis vem com dois comprimidos. Segundo ele, o diferencial é a eficácia: de 36 horas, ante de quatro a seis horas, garantidos pelo Viagra e suas cópias.

Os investimentos da EMS nas cópias do Viagra foram de cerca de R$ 20 milhões. Eschberger acredita que o medicamento tem tudo para se tornar o "blockbuster" (campeão de vendas) da companhia nos próximos meses. "Queremos ser líderes até o fim do ano. Isso será mais fácil do que o Brasil ganhar a Copa do Mundo", brincou o executivo, que vestiu a camisa da seleção a pedido do Valor.

O mercado de medicamentos voltados para disfunção erétil pode chegar a R$ 500 milhões por ano no país, com a entrada dos genéricos e similares. A receita da Pfizer com o Viagra é de R$ 160 milhões por ano. Na Eli Lilly atinge R$ 235 milhões (faturamento bruto), segundo a consultoria IMS Health. Estimativas indicam que 500 mil brasileiros consumem remédio para disfunção erétil por ano - as vendas atingem 19,5 milhões de comprimidos.

(Mônica Scaramuzzo)