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Jornal Valor Econômico
São Paulo - 24 de fevereiro de 2010
Novo Nordisk volta a fornecer insulina para o governo
A companhia farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, maior fabricante global de insulinas, volta a fornecer este ano o medicamento para o governo federal. A empresa, que perdeu os últimos três leilões no país, venceu o do ano passado e vai entregar 13,5 milhões de frascos. "Estamos de volta. Ficamos de fora nos últimos leilões", disse ao Valor Lars Rebien Sorensen, principal executivo global da farmacêutica. "É um mercado de preços muitos baixos."
Em publicação no Diário Oficial de 30 de novembro de 2009, o Ministério da Saúde informou que vai adquirir a insulina humana NPH ao valor unitário de R$ 3,28, somando R$ 44,280 milhões no total. No último leilão vencido pela companhia, o governo pagou R$ 17 por frasco, para o fornecimento de 9 milhões de unidades. Nos últimos dois anos, a americana Eli Lilly venceu a licitação. Os preços praticados nos últimos dois leilões ficaram em R$ 9,18 e R$ 5,48 por frasco, respectivamente.
A Novo Nordisk tem no Brasil uma das mais modernas fábricas de insulina do mundo. "Temos cinco unidades no mundo [França, EUA, China, Brasil e Dinamarca]. A fábrica do Brasil é uma das maiores e serve como base de exportação para os países da América Latina e também para Europa", afirmou Rebien. "Temos planos de investir em pesquisas clínicas no Brasil." A empresa aguarda autorização da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) para comercializar o medicamento Victoza, também para o combate de diabetes tipo 2.
Presente no país há 20 anos, a empresa comprou em 2002 a Biobrás, único produtor de insulina na época. Em 2007, a dinamarquesa inaugurou sua fábrica modelo em Montes Claros (MG), em um investimento de US$ 200 milhões. Essa unidade produz insulinas modernas. A empresa importa 100% da insulina que é negociada para o governo. Cerca de 80% das vendas do medicamento do grupo são feitas para o setor público e os 20% restantes para empresas privadas.
Segundo Rebien, mais de 50% da insulina produzida no mundo é fabricada pela Novo Nordisk. No país, a empresa é líder no segmento insulinas modernas, com participação de 46,4%. A empresa detém 38% do segmento de insulinas rápidas e 51% no de pré-misturas.
Com faturamento de US$ 10 bilhões em 2009, a companhia destina 6% do total para pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos medicamentos. Está no "pipeline" da companhia o desenvolvimento de insulina em forma de comprimido. "Estamos na fase 1 dessa pesquisa", afirmou Rebien. Ou seja, este produto, se aprovado pelos órgãos reguladores, deverá demorar de seis a sete anos para entrar no mercado. "Muitos pacientes têm medo de agulha", afirmou. "Minha meta é colocar insulinas modernas no mercado", afirmou Rebien, que está a seis anos de sua aposentadoria.
(Mônica Scaramuzzo)
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