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Jornal Valor Econômico
São Paulo - 25 de Março de 2011
Governo vai vistoriar laboratório argentino
O Ministério da Agricultura do Brasil já prepara uma nova vistoria na fábrica de vacinas para febre aftosa da Biogénesis-Bagó, na Argentina. A última análise do governo brasileiro ocorreu em maio do ano passado e a expectativa é que a próxima visita ocorra ainda no primeiro semestre deste ano.
A vistoria passou a ser ainda mais esperada, depois que passaram a circular no mercado fotos feitas em Taiwan, de embalagens de vacinas contra febre aftosa com rótulos da Biogénesis, para combater a espécie "O Taiwan", cepa exótica ao continente americano. Fontes do setor que viram as imagens, disseram que elas sugerem que a empresa estaria manipulando o vírus para fabricar a vacina.
Segundo Rodolfo Bellinzone, diretor de operações do laboratório argentino, a empresa não manipula o vírus vivo em sua unidade. Ele informa que a destruição da cepa ocorreu em 2008, condição para que a empresa passasse a exportar para o Brasil. Em nota enviada ontem, a empresa reforça que o Ministério da Agricultura "avaliou que todas as normas exigidas pelo órgão governamental estavam sendo cumpridas e também confirmou que a empresa não possui e não manipula nenhum vírus exótico".
A produção das vacinas destinadas ao mercado asiático, segundo Bellinzone, é feita a partir do antígeno do vírus inativo. O estoque desse antígeno foi formado, segundo Bellinzone, antes da destruição da cepa do vírus e vem servindo de matéria-prima para a produção das vacinas. "O banco de antígeno para a vacina asiática chegou ao fim. Os últimos lotes foram produzidos e exportados no início deste ano", disse Bellinzone.
Fontes da área técnica de alguns dos maiores laboratórios veterinários do mundo informam que banco de antígeno, ao longo do tempo, vai perdendo sua capacidade de imunizar. Segundo essas fontes, o que é comum no segmento é promover em curtos espaços de tempo o banco de antígeno, para manter um elevado grau de imunização do material. Para realizar essa substituição, no entanto, é preciso utilizar a cepa do vírus.
Segundo especialistas em saúde animal, manter um banco de antígeno inativo é algo comum, desde que os prazos de validade sejam levados em conta. No caso brasileiro, para uma vacina contra aftosa entrar no país, o Ministério da Agricultura exige que o antígeno usado tenha, no máximo, seis meses. As regras de cada país variam, mas existe uma recomendação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) de o antígeno congelado não tem um prazo de validade definido, desde que a vacina produzida seja utilizada em até seis meses.
(Alexandre Inacio)
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