Brasil Econômico
27 de janeiro de 2010


Brasil se arma contra novo surto da gripe A

Ministro da Saúde descarta a polêmica levantada de que a pandemia atenderia aos interesses da indústria farmacêutica.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou, ontem, a estratégia brasileira para combater a segunda onda da gripe H1N1 (conhecida por gripe A ou gripe suína) que já atingiu o hemisfério norte - atualmente num inverno rigoroso.

E mesmo que na União Europeia tenha surgido uma polêmica sobre a devida classificação da gripe como pandemia - determinada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Temporão informou que a politica de imunização avaliada tem por base estudos científicos e não ficará a mercê das idas e vindas de declarações externas.

"Por sua complexidade, esta campanha será o maior desafio já enfrentado pelo Programa Nacional de Imunização. Portanto, é fundamental a colaboração de todo o país para garantirmos o êxito em proteger, ao máximo, nossa população", informou.

A vacinação contra a gripe A será feita em quatro etapas. A primeira do dia 08/03 a 19/03 terá como alvo as populações indígenas e os trabalhadores das redes de saúde estadual e privada.

Em seguida, dos dias 22/03 a 02/04, crianças de seis meses a 2 anos e doentes crônicos (entre eles pacientes com diabetes, doenças respiratórias e obesos mórbidos). A terceira fase, de 05/04 a 23/04, vai vacinar adultos de 20 a 29 anos. Na última etapa, de 24/04 a 07/05, serão imunizados idosos (com mais de 60 anos) com doenças crônicas.

Gestantes poderão receber a vacina em qualquer uma das fases, com exceção da primeira. A intenção é imunizar 62 milhões de pessoas e evitar que a nova onda da doença se propague pelo país.

O investimento para adquirir a vacina é de R$ 1 bilhão, dinheiro que virá do Ministério da Saúde. Mas Temporão garantiu que a estratégia para o combate da pandemia não altera em nada os outros programas da pasta, entre eles, o de combate a dengue.

"Esse dinheiro é um recurso adicional, que faz parte dos R$ 2,1 bilhões que foram aprovados no ano passado, por medida provisória, para enfrentar a pandemia", esclareceu.

Além da vacinação, hospitais também serão equipados com respiradores e outros maquinários necessários para cuidar dos doentes, e os estados e municípios vão receber remédios para tratar as vítimas. O ministério da Saúde também vai lançar uma campanha nacional de prevenção da gripe A, cujo foco será a higienização.

Até dezembro do ano passado, a gripe H1N1 matou 1.705 pessoas no Brasil e infectou com gravidade 39.679. Em todo o mundo, de acordo com a OMS, a doença já matou 14.200 pessoas em 209 países.

"Isso sem dúvida nenhuma é uma pandemia. É só pegar o número de países comprometidos. Essa doença tem um histórico extremamente grave e, hoje, com a rapidez da propagação via transporte aéreo, acho que ainda estamos falando do primeiro capítulo dessa doença", declarou Paulo Olzon, infectologista e clínico geral da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp).

Segundo Olzon, no ano passado, houve dias em que foram atendidos, só na unidade em que trabalha, 100 pacientes com a gripe A. "Eu nunca tinha visto coisa igual", informou. Ele não descarta que possa haver interesses da indústria farmacêutica por trás da doença, mas descarta que a OMS esteja fazendo alarde demais.

No site OMS há o alerta: "O mundo passa por uma pandemia real e as declarações de que ela é falsa é errada e irresponsável. A OMS está confiante de ter tomado suas decisões de maneira independente no que tange a pandemia H1N1".

(Marina Gomara)