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Revista Valor Estados Pernambuco
30 de abril de 2010
Fim das importações
A cidade de Goiana, na Zona da Mata pernambucana, localizada a 63 quilômetros da capital e predominantemente agrícola, foi escolhida pelo governo do Estado para abrigar o Polo Farmacoquímico e de Biotecnologia, um conglomerado de empresas voltadas à produção de medicamentos e biotecnologia. Mais do que ampliar a oferta de emprego, atrair investimentos e novas empresas, o grande valor do Polo Farmacoquímico será permitir que o Brasil se torne autossuficiente na produção de vacinas e de hemoderivados de sangue.
Ao instalar sua primeira fábrica na América Latina, a suíça Novartis vai transformar o Brasil em produtor de vacinas pediátricas e bacterianas. No polo estarão a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, ligada ao Ministério da Saúde, que produzirá hemoderivados de sangue para atender a pessoas hemofílicas, além de atuar na área de biotecnologia, e também o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco, estatal vinculada à Secretaria de Saúde, fabricante de produtos antirretrovirais, e a União Química Farmacêutica Nacional, de medicamentos oftalmológicos e de combate ao câncer. "Os investimentos privados nas quatro fábricas ultrapassam R$ 1,15 bilhão com potencial de geração de mais de mil empregos diretos", afirma jenner Guimarães do Rego, diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco, que administrará o Polo Farmacoquímico. "A estimativa é ter até 25 empresas do setor em Goiana", diz Rego. A Novartis espera inaugurar a unidade de vacinas em 2014 e atrair investimentos externos, entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões. "Isso representa a criação de empregos qualificados e o acesso a teçnologia de ponta", diz Gláucia Vespa, diretora da Novartis Vacinas no Brasil.
Para reduzir a dependência brasileira de importações, a Hemobras gastará R$ 550 milhões na construção de uma fábrica para a produção de hemoderivados, gerando perto de 400 empregos diretos e 800 indiretos. "A Hemobras é o primeiro passo para a autonomia brasileira em relação à produção de hemoderivados", diz o presidente da empresa, Rômulo Maciel Filho. A unidade vai produzir 500 mil litros de plasma ao ano, em parceria com a estatal francesa Laboratoire Français Du Fractionnement.
(Roseli Lopes)
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