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Jornal Valor Econômico
São Paulo - 30 de julho de 2010
Farmácia de manipulação lança tendência
O Brasil já é o maior mercado mundial de farmácias de manipulação. De acordo com dados da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), são mais de 7 mil estabelecimentos do gênero no país, um crescimento de 40% sobre 2002. O faturamento do segmento é da ordem de R$ 1,3 bilhão por ano, o que representa 9% do mercado de medicamentos.
Entre os fatores que explicam a expansão das farmácias estão: atendentes bem treinados, ambientes decorados de maneira agradável, dosagens específicas, que evitam desperdício e preços mais baixos em até 50%. O investimento para um empreendimento de porte médio é estimado em R$ 100 mil.
Atualmente, o setor de cosméticos é a grande aposta desses empreendedores, seguindo tendência de customização dos tratamentos de pele. A venda de artigos manipulados que, em 2009, registrou um crescimento de 9%, deve aumentar mais de 12% em 2010, segundo analistas.
Os médicos dermatologistas representam uma grande alavanca desse crescimento, porque mesmo com a entrada no mercado brasileiro de grandes marcas de dermocosméticos, muitos ainda preferem personalizar as suas receitas.
Além disso, as maiores novidades do setor cosmético mundial surgem primeiro nas farmácias e somente após dois ou três anos é que passam a ser industrializados. As células-tronco da maçã, um ativo vegetal com atividade antirrugas, que chega em agosto nas farmácias de manipulação, é um bom exemplo disso.
O setor também tem obtido credibilidade. Recentemente, um estudo feito pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, constatou que os cosméticos desenvolvidos por farmácias de manipulação e indústria de cosméticos podem ser tão eficazes quanto de grandes marcas. Isso porque as empresas estão cada vez mais avançadas, produzindo substâncias menos agressivas e com poder de atuação maior.
A Biotec Dermocosméticos, por exemplo, que fornece ativos tecnológicos e conceitos dermocosméticos às farmácias, apresentou durante a Consulfarma o Glycoxil, uma substância para combater a glicação no organismo. De acordo com a farmacêutica Mika Yamaguchi, o ativo impede a ligação das proteínas com o açúcar do corpo humano que, juntos, formam as moléculas que causam danos às células de elastina e colágeno. A empresa também lançou várias fórmulas inovadoras de peeling e o Power Patch, um adesivo com microbaterias que produz um efeito rejuvenescedor para os consumidores.
(Ana Cláudia Landi)
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