Jornal Valor Econômico
Minas Gerais - 31 de maio de 2011


Atuação conjunta ajuda a reduzir custos e ampliar lucros

Os clusters ou arranjos produtivos locais (APLs) são redes que envolvem pequenas empresas, escolas técnicas e universidades, governos, entidades do meio empresarial e instituições de fomento e de pesquisa para atuar em conjunto. É um caminho para reduzir custos e riscos relacionados a uma atividade e ampliar a participação e os lucros de um segmento produtivo.

"Cluster é uma estratégia que pode ser muito eficiente para alavancar recursos e práticas essenciais para a competitividade das empresas. No ambiente das micro e pequenas empresas, na falta de economia de escala, o associativismo se coloca como uma necessidade", afirmou o diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, um dos participantes do 6º Congresso Latino-Americano de Clusters (6º Clac).

De acordo com Carlos Alberto Santos, por decisão do conselho deliberativo do órgão, o Sebrae tem por regra aplicar 60% de seu orçamento anual no atendimento às micro e pequenas empresas de forma coletiva.

Os clusters ganharam maior espaço na agenda econômica do país nos últimos dez anos. Eles constam do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (Pacti), para o período de 2007 a 2010, e da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) 2008-2013, ambos instituídos pelo governo federal.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) coordena o grupo de trabalho permanente dos arranjos produtivos locais, integrado por 33 instituições. De acordo com levantamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado, existem cerca de 1,5 mil clusters no país.

Um exemplo da capacidade dos arranjos produtivos locais de reduzir custos e riscos, e de seu impacto nos negócios, é o APL das indústrias de móveis de Ubá, cidade da Zona da Mata de Minas Gerais. Trabalhando em conjunto e por meio de parcerias e da terceirização da logística, o cluster da indústria moveleira de Ubá conseguiu, recentemente, reduzir de 15 dias para quatro dias a entrega de produtos para 23 municípios de São Paulo, entre eles a capital do Estado.

A eficiência dos clusters se evidencia, em grande medida, pelo dinamismo da combinação entre cooperação e competição. Além disso, a confiança entre as empresas parceiras na iniciativa e a ação conjunta dos membros de um cluster possibilitam que o projeto seja autossustentável. É o que afirma a especialista Madeline Smith, chefe do Núcleo de Inovação do Instituto Ekos, consultoria independente de desenvolvimento econômico. Ela participou do 6º Clac, em Ouro Preto.

De acordo com Madeline Smith, a maior eficiência de um cluster é garantida pela sinergia das empresas que compõem o arranjo produtivo. Ela afirma que o desempenho de um cluster é sempre maior em comparação com outras empresas, por causa, sobretudo, da maximização dos pontos fortes das companhias envolvidas. "A receita local e os ativos são melhor utilizados", diz. Segundo ela, o ecossistema dos clusters possibilita que sejam mensurados os impactos do benefício.

(Carlos Eduardo Cherem)