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Jornal Valor Econômico
São Paulo - 31 de maio de 2011
Capital de fomento à pesquisa sobra no país
Primeiro estágio de investimento, o chamado capital de fomento à pesquisa também chega muitas vezes a sobrar pelo país. E, mais uma vez, não sobra por ausência de demanda, mas sim pelo não cumprimento das exigências básicas por parte dos candidatos, por falta de bons projetos, afirmam os analistas.
Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o que a maioria dos candidatos a investimentos encaminha aos órgãos de fomento é a especificação do produto e não o projeto de pesquisa que gerará algo inovador. "Falta orientação para os empresários calcularem os riscos e mostrarem onde está a inovação. Só assim conseguirão ter acesso às verbas, porque o que financiamos é pesquisa, é solução para desafios científicos e tecnológicos", declara.
Nessa linha, a cada 100 propostas analisadas pela Fapesp, apenas 33 são aprovadas. As maiores demandas são das cidades de São Paulo, Campinas, São Carlos e São José dos Campos, considerados os principais corredores de inovação do Estado. Desde 1998, quando foi lançado o Pipe (Pesquisa Inovativa na Pequena Empresa) a entidade já atendeu cerca de 900 empresas. Em 2010, foram investidos R$ 13,5 milhões em recursos não reembolsáveis e para este ano a verba gira em torno de R$ 20 milhões, sendo R$ 625 mil o valor máximo de investimento por empresa beneficiada.
Os empreendedores, por sua vez, reclamam da rigidez acadêmica das avaliações, mais preocupada com a tecnologia do que com o resultado que ela possa gerar ao mercado. Eles também se queixam da morosidade do processo. "Fomos reprovados em três editais da Fapesp", lembra Walter Cabrera, 38 anos, sócio da Bioactive, empresa de biotecnologia especializada em regeneração rápida de ossos, incubada no Cietec, em São Paulo. Na quarta tentativa a empresa recebeu sinal positivo. "Levaram oito meses após a aprovação do projeto para liberarem os recursos, tempo que custou à Bioactive a perda de sua equipe inicial de pesquisadores", afirma Cabrera.
Em 2010, a média de duração dos processos foi de 140 dias, segundo a Fapesp, abaixo do sistema americano, que gira em torno de 180 dias.
Na visão de Ricardo Tortorella, diretor técnico do Sebrae SP, a economia mudou nos últimos anos e o perfil e o desempenho das start ups brasileiras também. "Embora a realidade seja bem distinta de pouco mais de uma década atrás, os órgãos de fomento à pesquisa e à inovação ainda avaliam os possíveis candidatos da mesma maneira", afirma. "A oferta não casa com a demanda. Mas, mesmo assim, programas como o Pipe da Fapesp são essenciais para preparar as empresas para receberem em um estágio à frente outro tipo de investimento, não mais de pesquisa, mas de gestão e expansão."
(Kátia Simões)
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